Segunda-feira, 23 de outubro de 2000 - Jornal da Tarde
Tatuagens: quem vai aderir?
Encontro Internacional de tatuadores reúne 100 expositores e bate recorde de público. Foi a terceira edição do evento no País.
Dragão tatuado no braço do surfista, tribal nos antigos povos da
Polinésia ou sinistros números nas mãos dos judeus nos campos de
concentração nazistas. A tatuagem está na pele desde a pré-história, como
prova uma múmia de 2.000 anos no Museu de História Natural de Nova Iorque.
Considerada coisa de "maluco" mais recentemente, a tatuagem quer virar arte.
Essa é a intenção dos organizadores da IV Convenção Internacional de
Tatuagem no Brasil, encerrada ontem com um público recorde de 12.000
pessoas, o dobro do de sua terceira edição. Um deles, Francisco Russo, de 38
anos, tatuador há 20, pretende, com o evento, separa o joio o trigo.
"A tatuagem é arte, mas só será vista assim quando os maus profissionais
desaparecerem", diz ele, um dos fundadores do sindicato da categoria,
surgido há um mês.
Bons de agulha Dos 100 expositores, 30 vieram do exterior. Mas, em matéria de
tatuadores, não devemos nada a ninguém. "A tatuagem brasileira está entre as
melhores do mundo e é a primeira na América Latina", sentencia Juan Zamora,
tatuador colombiano de 31 anos que há 12 trabalha no bairro nova-iorquino do
Bronx.
A razão dessa qualidade, segundo ele, é o intercâmbio que existe entre os
tatuadores brasileiros. "As pessoas trocam técnicas aqui. Fora, os
tatuadores escondem muito o jogo".
Proporcionar esse intercâmbio foi um dos méritos da convenção. O japonês
Shimada exibia a técnica da tatuagem com bambu, mas não fazia propaganda de
sua técnica. "Não sei se com bambu fica melhor. Pergunte aos clientes,
porque eu não sei", dizia ele que não tem uma tatuagem sequer no corpo. Para
Shimada, a técnica tem seu apelo na tradição, o que, dizia, encerece o seu
trabalho. "Em uma hora no Japão, ganho mais que vocês no mês".
Ricardo Garcia, o Cacá da tatuadora Rosa Azul, descarta qualquer tendência
para as tattoos. "As pessoas estão entendendo mais de desenho e escolhem
coisas legais", dizia.
Mas para quem se considera moderno mesmo, "tattoos" e "piercings" não
bastam. Em um estande da convenção, a odontologista animal Mary Matsuda
vendia implantes de pedras preciosas em dentes. A preferência de sua
clientela era pelos implantes nos dentes frontais, o que deixava a obturação
à mostra.
"Há também os que afiam os dentes, deixando-os pontiagudos", contava. Outros
mais radicais, chegavam a partir a ponta da língua, deixando-a bifurcada,
como a de uma cobra.
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