The Needle Body Art
Quinta-feira, 10 de agosto de 2000 - Jornal da Tarde

Brand e plug completam o visual

Inspirados em estéticas tribais, clubbers entram na onda das tatuagens feitas queimando-se a pele e fazem buracos enormes nas orelhas

Em algumas regiões da África, uma pele lisa não desperta a menor atração. Para se adequarem aos padrões estéticos vigentes, as pessoas recorrem às tatuagens com cortes, controlando o processo de cura das escoriações com substâncias especiais, para formar as desejadas saliências.

Como esse é um processo doloroso, quem tem mais cicatrizes é saudado por sua resistência e coragem.

Seguindo a moda tribal africana de imprimir marcas na pele, uma nova tendência tem agitado o mundo clubber no Brasil: o brand - queimaduras feitas na pele como se fossem marcas de gado.

Com lâminas em brasa, o tatuador modela no corpo da "vítima" o desenho escolhido. Como toda queimadura, formam-se bolhas e o local fica em carne-viva provocando forte dor. Quem faz garante que compensa e que fica bonito.

É o caso de Renata Stanisci. A garota marcou um coração na nuca. "Doeu muito, mas ficou bem legal. Tenho uma amiga que fez um anjo enorme nas costas e teve de ficar um tempão dormindo de bruços", conta Renata, na frente da sua loja Sapos, na Galeria Ouro Fino.

A correria pelos corredores da Ouro Fino é sempre grande em busca de novos `acessórios' para o corpo.

"Estou procurando um desenho estilo indiano para fazer meu brand, quando terminar conversamos", despistou a reportagem uma garota afobada.

No susto Minutos depois ela voltou, triste por não ter encontrado um desenho que lhe agradasse. E garantiu que voltaria à galeria outro dia para a tal sessão de tatuagem.

Mas os modernos de plantão garantem: quem desiste na primeira não não faz mais. "Tem que ser no susto", completa Renata.

Outro apetrecho que anda fazendo sucesso é o plug, também conhecido como bone. Trata-se de um piercing colocado no lóbulo da orelha, que pode chegar ao tamanho de uma tampa de garrafa de refrigerante.

A princípio, o tamanho é de um botão de camisa, mas, conforme o tecido vai cicatrizando, o usuário pode aumentar o tamanho do objeto e do orifício na orelha.

Em caso de desistência, o tecido volta a crescer cerca de 10 milímetros. Se o furo exceder a esta medida, só uma cirurgia plástica resolve.

O funcionário da Body Piercing Clinic, Marcelo Rodrigues, tem uma em cada orelha e nem cogita a possibilidade de um dia parar de usar o plug. Com 12 piercings e 12 tatuagens, Rodrigues faz o tipo moderno cool: não gosta de comentar a quantidade de perfurações e desenhos pelo corpo, nem sobre seu estilo de vida.

"Tudo que faço é para me satisfazer e não para sair por aí mostrando e chocando as pessoas", garante o bodypiercer.

T.V.


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